sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

O QUE MUDOU EM MIM – EM UM ANO


O ano de 2016 posso dizer que foi uma porta de luz que se abriu para mim – porque o único fato positivo de 2015 foi minha filha ter completado 2 anos – depois sobreviver das migalhas de pão amassadas pelo Destino (nem Satan seria tão impiedoso), eu pude finalmente comer dos brioches dados pelo mesmo.

Superar uma separação é difícil – até para as pessoas de fibra mais resistente, e até mesmo para quem já se separou. Eu não me separei apenas do homem que é o pai de minha filha: eu me separei do único homem por quem me dediquei plenamente. Cortar vínculos afetivos para tolerar somente os obrigatórios (de sermos pais) é como cortar um membro do corpo. Me senti dentro de um dos filmes do “Jogos Mortais”. O Destino atuou como o próprio Jigsaw. Vida ou Morte. Eu preferi a vida. E uma vida liberta do “conto de fadas” do ideal de família de comercial de margarina – cultivados desde a adolescência. E assumir sozinha a responsabilidade de uma criança consumiu – e consume – tanto tempo de meus dias, que quando sobrava um tempo para chorar, eu precisava aproveitar para dormir.

Depois de tantas batidas, raladas, amassadas, multas e leves acidentes, posso afirmar plenamente sou capaz de ser uma condutora e cuidar da manutenção de um carro. E uma condição não me permitiu escolha se queria ou não um carro: tenho uma filha pequena. Com o pai ela tinha o conforto de não precisar ser sacolejada e amassada em transporte coletivo. Então era minha obrigação manter o mesmo conforto. Eu não tinha prática boa. Eu não tinha capital para dar de entrada. Eu tinha medo. Assim que percebi que a separação era inevitável, a primeira coisa que precisei providenciar era um carro. Em um mês, perdi o medo, fiz um carnê de 24 prestações, comprei uma cadeirinha e fiz um seguro. O ano de 2016 me permitiu gozar da condição de motorista confiante. E uma viciada em passear na Mercadocar – com a filhota.

E o que pensei que seria impossível, foi possível: um relacionamento afetivo. Muitas pessoas me dizem que “engatei” (!) um novo relacionamento muito rápido, mas lembrem-se de que eu cortei TODOS os vínculos afetivos com o pai de minha filha. Então realmente estava preparada para isso. E esse fato veio para agregar muitos valores de maturidade sentimental, que o relacionamento com um homem mais velho proporciona. No começo eu ficava muito angustiada por achar que estava trocando o afeto de minha filha pelo de um homem, mas com muito trabalho psicológico, eu divido muito bem minha atenção. E o melhor: ele entende isso, respeita meu tempo com a filhota, pois sabe que mais tarde eu serei só dele.

Então, posso dizer que 2016 foi uma transição da BAD para a MAD: do ruim para o bom de forma instantânea. Acho que mereci porque o Jigsaw Destino viu que eu me “desmembrei” para superar – modéstia à parte.

Confesso que desejo de todo o coração que essa nova fase dure bastante – porque eu preciso de férias, depois de tanto trabalho que esse Jogos Mortais me deu.
 
 







2 comentários:

  1. Passar por uma separação é difícil. Nunca passei por uma, mas vi minha mãe acabando uma relação e pude sentir sua dor. Agora, em dezembro, faz um ano e ainda não sei o que ela sente a respeito disso. Quando uma música melancólica toca no rádio a olho e tento decifrar seus sentimentos e é uma coisa impossível.
    Não teve nenhuma necessidade como essa de comprar um carro ou ter apenas uma relação de pais, mas sei que todos tem sua dor.
    A história relatada é forte e nos faz pensar na vida.
    Histórias fortes e impactantes é o diferencial do seu blog. Você fala sem medo do que vão pensar, você apenas fala.
    Adorando seus textos!
    Bjos

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