sexta-feira, 10 de março de 2017

TAG SÉRIES: IMPRESSÕES SOBRE A SÉRIE “BLACK MIRROR”



O sucesso da série “Black Mirror” está justamente na capacidade de nos atordoar, de forma que a angústia seja o principal peso em nossa consciência. E por quê? Porque mostra como somos dependentes da tecnologia (interface digital), revelando nosso lado predatório e misantropo – e como isso está a determinar a vida em sociedade. É viral, é mundial, e assustador.

A ficção que cada episódio apresenta revela indiretamente que alguns traços já vivemos e sentimos. Os avanços tecnológicos serão a próxima “seleção natural”, onde sobrevive quem se adapta, quem é aceito, a popularidade (boa e ruim) nas redes sociais, e quem pode permanecer vivo (!!).

 Cada episódio tem um elenco diferente, um cenário diferente e até uma realidade diferente, mas todos eles são sobre a forma como vivemos hoje - e a forma como nós poderemos estar vivendo em 10 minutos se não tomarmos cuidado.” – palavras de Charlie Brooker, criador da série.

Originalmente a série foi transmitida pelo Channel 4 entre os anos de 2011 e 2014. A primeira temporada foi em 2011, com 3 episódios. A segunda foi em 2013, com 3 episódios também. Em 2014 foi exibido um episódio especial de Natal. A última temporada foi a mais longa, em 2016 – 6 episódios. Os episódios são todos independentes, então é possível assistir em ordem aleatória (apesar de ser possível perceber que alguns episódios apresentam sutis informações de outros episódios). A única característica presente em todos os episódios é que eles mostram histórias distópicas, mas que tratam dos problemas que vivemos atualmente.

Ninguém se salva. Não há finais felizes. Ninguém consegue mudar seu destino. Todos podem ser o alvo. Todos são observados. As redes sociais e a tecnologia determinam os padrões, e para isso valem-se do terrorismo e da violência física e mental.

Seria a série uma premonição do que está por vir? Podemos ver nos fóruns de discussão e fanpages como as pessoas estão extremamente preocupadas com que a série apresenta.

 
BLACK MIRROR – EPISÓDIOS

 
1ª Temporada (2011)

 
1 – O Hino Nacional (The National Anthem)
 
 

Percebe-se nesse episódio como o terrorismo pode ditar as regras, e – principalmente – fazer com que uma grande personalidade se submeta a uma situação degradante, mesmo que isso custe o repúdio da família, da sociedade e a perda de sua dignidade.
 

2 – Quinze Milhões de Méritos (Fifteen Millions Merits)
 
 
 

Aqui é exibido um tipo de segregação por tipos de grupos. Quando mais pedalam, gerando energia, mais acumulam pontos (tipo de salário?), que podem ser trocados por “brindes”. Só é possível “subir na escala social” por meio da participação em um “Show de Calouros” – que muito se parecem com os programas exibidos na TV aberta.

 
3 – Toda a sua História (The Entire History of You)
 
 

Os celulares foram substituídos por um mecanismo implantado no corpo (Gran), que registra tudo o que acontece com a pessoa, e tanto pode ser visto individualmente – como se a pessoa estivesse em hipnose – ou em telas, para serem exibidas às outras pessoas. Especificamente neste episódio o foco é um casal – o marido que, movido pelo ciúme, procura desesperadamente indícios de traição de sua esposa.
 

2ª Temporada (2013)


1 – Volto Já (Be Right Back)
 
 

À princípio algo que poderia ajudar no processo de superação do luto, acaba por trazer mais transtornos emocionais.

 
2 – Urso Branco (White Bear)
 
 

Crimes que se tornam um espetáculo bizarro que entretém as pessoas, ávidas pela “Lei do Talião”. Já imaginou uma penitenciária se tornar uma espécie de “Parque Urso Branco”?

 
3 – Momento Waldo (The Waldo Moment)


 

O episódio mais próximo da realidade política mundial. A sociedade, frustrada pela corrupção dos governantes, encontra em um personagem (Waldo) escrachado uma forma de encarar isso de forma irreverente, por meio da ofensa, do dano moral, da exposição deprimente feita por memes e montagens.
 

ESPECIAL (2014)

Natal Branco (White Christimas)


 

A insegurança como escopo para um negócio: prestação de serviço para assinantes terem êxito nas convenções sociais – é disso que vive Matt, o personagem. Em uma situação, o êxito se torna tragédia.

Em outra cena, vemos Matt trabalhando em uma indústria que elabora um programa que decifra a personalidade das pessoas, reunindo tudo em uma espécie de pen drive – Cookie – que reúne todas as informações da referida pessoa.

Outro personagem – Potter – surge, e em sua história pessoal, acompanhamos sua tragédia por ter sido abandonado pela namorada, e sua busca por respostas que nunca lhe foram dadas. E mais uma vez o choque da realidade fere profundamente quando a verdade é descoberta.

Esses personagens se encontram. E o desfecho é “matador”.

 
3ª Temporada (2016)

1 – Queda Livre (Nosedive)

 


A necessidade que há por detrás da popularidade em redes sociais, retratada no episódio como um fator de valorização até para a aquisição de imóveis. Você é o que consegue de “likes”. E pode ser prejudicado só com “deslike”.

2 – Versão de Testes (Playtests)

 
 

Óbvio: crítica às empresas que fabricam games e sua total falta de preocupação em como a tecnologia pode causar danos irreversíveis e morte às pessoas – e como as mesmas pessoas preferem a imersão em jogos de realidade simulada em detrimento às relações – em especial, as familiares.

A interferência da mãe o condenou ou o salvou? Fico a me questionar.

3 – Manda Quem Pode (Shut Up and Dance)

 


Mais uma vez “ninguém está a salvo”. A tecnologia nos permitiu extravasar, e isso reforçou um lado escuro de nossa mente para a autodestruição. Pessoas se expõem para satisfazerem seus fetiches, mas incorrem no perigo dessa exposição vir ao conhecimento da sociedade. Todos sabem disso, mas é preciso ocultar.

E para se ocultar, pode-se pagar um alto preço.

No episódio, três pessoas: um jovem, um homem, e um homem velho (liga tríplice da degradação? Rsrs)

Em uma das cenas, o drone que assiste a briga me remeteu ao episódio “Urso Branco” – o quanto somos ávidos pela destruição dos outros.

“Deseja a destruição dos pervertidos, mas manda nudes a desconhecidos”?

4 – San Junipero

 
 

A predileção pelo mundo virtual em degradação da realidade. Portanto, por mais que se leve a acreditar de que é um “final feliz”, NÃO É”.

E eu nem consigo escrever mais porque seria uma chuva de spoilers!

5 – Engenharia Reversa (Me Against Fire)

 
 

O episódio trata de um tema que atravessa os milênios – sempre houve, e sempre haverá – que é “ódio racial”. A tecnologia à serviço das nações que, por meio de um exército, quer acabar com seus adversários.

6 – Odiados pela Nação (Hated of the Nation)

 


Como o discurso de ódio pelas redes sociais determinam o destino de “odiados e odiadores”. Desde o famosos aos desconhecidos. E nem o Estado escapa disso – pois não tem absoluto controle – nem suspendendo as redes sociais no território.

Não tem final feliz também. Mas deixa uma mensagem significativa: nem tudo está perdido.

Nem que seja para “uma pessoa”.

 
CONCLUSÃO PESSOAL

Black Mirror aparentemente pode tratar de histórias distópicas, mas aborda temas atuais, mas de forma sutil – afinal a verdade está “lá fora”, mas peferimos a segurança de um software, ou de uma rede social. É a verdade do mundo vista por um espelho negro que, apesar de negro, deixa nítido a hipocrisia humana, ou seja, um espelho que revela vícios e defeitos.

Depois desse post seria ótimo passar uns dias em San Junipero, mas vai que eu não queira voltar mais.

Um comentário:

  1. fiquei curiosa....tem um tempo que não tenho uma série preferida, ando querendo me apegar em algum rs....vou tentar um episódio dessa. beijos

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